Um dos grandes dilemas do ser humano diz respeito à sua escolha entre o estilo ermitão ou o comportamento associativo; entre o compartilhar e o centralizar, entre o pensar apenas em si mesmo, mas também nos outros. A opção por uma ou outra alternativa nos acompanha por toda vida e traz grandes influências no comportamento e nas contribuições das pessoas que nos cercam. Aqui vale mais que nunca, no bom sentido, «é dando que se recebe». Nossa idéia do texto desse mês é a de apresentar algumas visões de mundo, comportamentos que caracterizam uma ou outra escolha. Cabe ao leitor um autodiagnóstico do que mais se aproxima de suas escolhas, erros e acertos embutidos em cada uma delas. Então vamos lá: Você pertence a quantas associações de classe? Você comparece regularmente aos encontros? Seu interesse é pessoal (seu ego, vender seus serviços, aparecer mais do que os outros) ou procura colaborar com todos na busca do atingimento dos objetivos da associação? Na avaliação das pessoas, você considera sua capacidade de sinergia ou adora as estrelas solitárias? Quando escreve é para você mesmo ou para um determinado público? Você divide/compartilha o conhecimento e a experiência que possui ou guarda tudo naquela “caixinha” no fundo do armário? Quando atualiza seu currículo, predomina o “Eu” ou o “Nós”? Quando comparece às reuniões/contatos, a cabeceira da mesa é o seu lugar preferido? Gosta sempre de ser o primeiro a falar? Quanto tempo do dia passa sozinho (com “seus botões”) ou em grupo, com subordinados, superiores, família, etc.? Você se julga superior à “raia miúda”? Você acredita realmente que os “outros” podem mudar suas convicções, pontos de vista? As pessoas com quem convive estão com você por outra razão que não o dinheiro, status, poder? O prazer de sua companhia, por exemplo! Você só se lembra dos outros quando precisa deles? Você alimenta suas relações ou as deixa morrer por decantação? Você delega ou acredita que pode fazer tudo melhor que qualquer um? Quando há um problema qualquer, todos pedem sua ajuda? Principalmente porque sabem que receberão? Critica com severidade quem não é parecido com você? Só porque não gosta do amarelo? O tempo dedicado às associações de classe é quase sempre preterido pelas atividades mais urgentes e importantes? Até porque essas não o obrigam a sair de sua toca? Você é do tipo que mais fala que ouve? E que quando fala não gosta de ser contestado? Quando alguém colabora para tornar seu projeto viável, qualquer que seja o projeto, pessoal ou profissional, sempre julga que o outro tem a obrigação de ajudar? Qual o seu esporte preferido? Futebol, Basquetebol? Ou Tênis, Golf? Coletivo ou Individual? É casado(a) consigo mesmo ou com outra pessoa? Você é um ser social ou um ermitão escondido em uma caverna? É claro que com este artigo não queremos fazer apologia de que PRECISAMOS FAZER TUDO JUNTO COM ALGUÉM. O que queremos é propiciar uma reflexão quanto à importância de estabelecer contato com outro, compartilhar idéias em um processo de ajuda mútua, de colaboração, onde todos ganham. Seja pela diversidade de idéias, por uma clareza de objetivos e pela oportunidade de cada um conhecer por meio de seu espelho - o outro - como nós nos traduzimos socialmente. O outro é o nosso espelho e ele pode nos dar subsídios valiosos para o autoconhecimento e para a junção de esforços no sentido de nos tornarmos melhores como profissionais, como cidadãos que compreendem que para se fazer história, para deixar marcada a nossa passagem pelo mundo, sempre precisaremos uns dos outros. É o outro que nos legitima como seres sociais. É o outro que nos possibilita um passaporte para a nossa importância no mundo. É sempre bom lembrar que o outro não foi feito à sua imagem e semelhança. Pelo contrário...