Um Sério Momento de Consciência
A avalanche de crimes de corrupção que assola o país merece uma profunda reflexão por parte de qualquer cidadão que queira deixar um país melhor para seus filhos e netos. Especificamente, nós; membros da comunidade empresarial, que temos a missão de orientar ou conduzir blocos humanos maiores, devemos dedicar uma consistente porção de nossa inteligência e energia, e tentar dar uma concreta resposta à pergunta: "o que fazer?"
Particularmente, como humilde analista de Cenários Estratégicos, estou muito preocupado. Fico ainda mais estarrecido quando ouço autoridades políticas de altíssimo nível hierárquico justificarem os desmandos pela exposição da mídia eletrônica, ou pela "eficácia" (?) do Ministério da Justiça. Não é esta explicação que eu esperava. Em meu ponto de vista, a Democracia, única alternativa de sistema metapolítico para o Mundo e o Ser Humano do Século XXI não pode permitir que sua liberdade tenha como subprodutos o crime organizado, a corrupção deslavada, a pirataria, a falsificação, o tráfico de entorpecentes e a violência urbana. Democracia não pode ser desmantelada para Anarquia. É inimaginável, mas hoje, 2005, a concorrência fraudulenta, a pirataria, as empresas fora-da-lei foram elevadas à categoria de item estratégico, de clientes que seguem a lei e pagam seus impostos. Empresas comerciais éticas vêem seus clientes serem impedidos de entrar nas suas lojas, por uma barreira de Camelôs.
O que podemos fazer?
Em primeiro lugar aumentar o nível de consciência do Humano mais nobre dentro de nosso locus de atuação. Quanto mais despertarmos nossos Seres Humanos para as Virtudes Engrandecedoras, mesmo que somente no nosso espaço, estamos contribuindo para a melhoria do mundo. Em seguida devemos deslanchar um sério programa de não contribuição ao fora-da-lei. Se conseguirmos vencer a tentação de comprar um CD pirata ou de tirar cópia xerox de um livro estaremos, também dentro do nosso tamanho, contribuindo para a diminuição do crime organizado.
Finalmente, temos de agir de maneira profunda e enérgica na construção de uma consciência política séria, ética, integrada.
Infelizmente, temos de ter consciência que o Brasil está longe daquilo que imaginávamos, para seu futuro, há vinte anos atrás. A eliminação da inflação, a eleição direta para presidente, a globalização, a evolução da tecnologia, e até o sentido mais nobre da vida (em alguns estratos da população) não foram suficientes para vencer os vícios atávicos da ganância, do poder, do rei Dinheiro, do curto prazismo e da própria falta de Ética.
Há muito ainda o que fazer.
Marco Aurélio Ferreira Vianna
Presidente do MVC