| O Sexto Sentido |
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Semana passada, revendo alguns textos do mestre Jorge Luis Borges, deparei-me com esta pérola de pensamento: “pensar somente nos cinco sentidos é um grande erro; o abstrato faz parte da vida”. À primeira vista talvez esta reflexão não tenha nada a ver com nosso pragmático mundo corporativo. Ledo engano. |
Muito mais do que se imagina o sexto sentido, a intuição e até a percepção extrasensorial não só se constituem em atributos de efetividade dos grandes líderes e executivos como, em meu ponto de vista, representam o verdadeiro diferencial competitivo dos que se sobressaem na vida profissional.
Nas entrevistas que tenho feito com grandes líderes brasileiros é possível sentir esta utilização mais nobre da mente humana. Sentir o insensível, ouvir o inaudível, perceber o imperceptível, longe de se situarem no estrato menos nobre do almanaque cultural são atributos utilizados com freqüência por quem tem de tomar decisões. Esta atuação, que também não está no nível transcendental/espiritual (este talvez formasse o sétimo sentido), está presente em toda cena representacional, tão comum nas organizações. Luiza Helena, líder brilhante do Magazine Luiza, usa e abusa desta estratégia. Ela sempre procura as entrelinhas, a aura, a atmosfera, claro que favorecida por sua intuição nata feminina, ela é capaz de chegar onde a comunicação meramente física jamais atinge. Alberto Saraiva, que construiu a maior rede de restaurantes árabes do mundo, a Habib’s afirma categoricamente que em todas as suas decisões ele tenta penetrar no mundo da energia. Segundo ele, os relatórios de resultados econômico-financeiros são apenas um complemento que sempre comprovam aquilo que sua sensibilidade já havia detectado.
Por tudo isto é importante que líderes atuais e futuros abram suas mentes e corações (e neste caso também suas almas) para o desenvolvimento desta potencialidade. Sim, porque intuição é matéria passível de aprendizado. Roy Rouwan definiu a intuição como uma conseqüência da “efervescência” do conhecimento adquirido. Edward de Bono nos colocou à disposição a técnica do pensamento lateral. Sair do “círculo de giz”, do raciocínio cartesiano é de fundamental importância nestes momentos em que a imprevisibilidade é a única premissa que temos garantida. Por sinal, nosso Parreira usa e abusa da intuição. Será que ela funcionará? Esta é apenas mais uma dúvida sobre a dúvida. Tomara que sim!
Material retirado de Palestras sobre Liderança.
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Marco Aurélio Ferreira Vianna
Presidente do Instituto MVC
Autor de 42 livros
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