MUDANÇA DE ATITUDE OU ATITUDE PARA MUDANÇA
Uma organização deve ser vista como um conjunto de competências, ou seja, sua capacidade de executar, de forma satisfatória, diversas atividades inerentes ao seu ramo de atuação, e que seriam impossíveis de serem executadas por um indivíduo isoladamente.
As competências de uma organização devem ser observadas em três níveis: o individual, o grupal ou departamental e o organizacional. Estes três níveis estão interligados – cada nível superior engloba o anterior – e apresentam conteúdos diferentes. A tabela a seguir sintetiza estes conteúdos.
Níveis de competências e seus conteúdos:

Nível Individual

Nível Grupal ou Departamental

Nível Organizacional


Conhecimentos: aspectos cognitivos relativos à execução da tarefa e à atuação da empresa.
Habilidades: aspectos motores relativos à execução da tarefa.
Atitudes: disposição de espírito, postura adotada diante das situações cotidianas do ambiente de trabalho.


Trabalho em equipe: capacidade de, em grupo, executar algo que seria impossível individualmente.
Aprendizagem coletiva: capacidade dos indivíduos de adquirir novos conhecimentos e transferi-los para os demais membros do grupo.
Comunicação: troca de informações e idéias, feedback.
Tomada de decisão: determinação de objetivos e estratégias.
Delegação: divisão das tarefas e atribuição de responsabilidades.


Valores e crenças: elementos que fundamentem a atuação da empresa: qual seu papel frente à sociedade, os acionistas, os funcionários, os clientes?
Políticas: diretrizes que definem, estrategicamente, a atuação das diversas áreas da empresa.
Sistemas gerenciais: normas e procedimentos que operacionalizam as políticas da empresa.

Com relação à criação, desenvolvimento ou aquisição de competências individuais, o grande desafio encontra-se nas competências atitudinais. Transmitir novos conhecimentos e habilidades aos funcionários é tarefa relativamente fácil frente ao desafio que é mudar suas atitudes frente ao trabalho, à organização, aos clientes.Mas o que são atitudes e como modificá-las? Abordar este assunto é o objetivo deste texto.

O QUE É ATITUDE?
Atitude é uma predisposição aprendida para se comportar de um modo coerentemente favorável ou desfavorável em relação a um dado objeto, por exemplo, um produto, uma empresa. Como também com relação ao seu trabalho, à gerência, aos clientes. Atitude, assim, relaciona-se com comportamento, com o modo como as pessoas "respondem" a determinados estímulos do ambiente – um novo plano motivacional da empresa, uma reclamação do cliente, etc. Contudo, as atitudes nem sempre são facilmente observáveis, tendo em vista que a predisposição não necessariamente acarreta um comportamento correspondente. Grande número de pessoas, por exemplo, são contrárias à atuação dos camelôs nas ruas, mas diversas vezes os têm como opção de compra. No ambiente organizacional, por sua vez, o comportamento humano é mais facilmente observável. A repetição de comportamentos, as ações de influência entre as pessoas ou até conversas informais são fontes que permitem inferências sobre o comportamento de determinado funcionário. A avaliação acerca da estrutura e composição de atitudes tem importância considerável no entendimento do papel que estas desempenham no comportamento do funcionário. Dois modelos oriundos da psicologia ajudam a compreender tal fato. O modelo de três componentes de atitude consiste em três partes: um componente cognitivo, um componente afetivo e um componente conativo. O componente cognitivo capta o conhecimento e percepções do funcionário (i.e., crenças) acerca do ambiente de trabalho, da empresa, da gerência, da sua tarefa específica etc. O componente afetivo focaliza as emoções de um funcionário ou sentimentos a respeito de um objeto em particular. De natureza avaliatória, o componente afetivo determina a aferição geral que um indivíduo faz acerca do objeto da atitude em termos de algum tipo de escala de favorabilidade. O componente conativo lida com a possibilidade de que um funcionário aja de um modo específico a respeito do objeto da atitude. O componente conativo costuma ser tratado como uma expressão da intenção de comportamento do funcionário. O modelo de atitude multi-atributo examina as crenças do funcionário acerca de atributos específicos do trabalho – remuneração, relacionamento com a chefia, reconhecimento profissional etc, tratados de forma específica. Assim, a atitude "total" do funcionário é relativa ao impacto que suas atitudes em relação a cada um dos atributos do trabalho exercem. Esse impacto não apresenta relação determinística, ou seja, um funcionário pode apresentar atitude positiva com relação ao salário e reconhecimento e negativa com relação à chefia e apresentar uma atitude "total" negativa, enquanto outro, na mesma situação, pode responder de forma totalmente inversa.

COMO SE FORMA A ATITUDE?
Quando se trata de formação de atitude, é útil lembrar que as atitudes são aprendidas e que diferentes teorias da aprendizagem fornecem insights únicos de como as atitudes inicialmente podem ser formadas. A teoria behaviorista da aprendizagem, por exemplo, afirma que, dada uma resposta a um determinado comportamento, sendo ela positiva o comportamento tende a ser repetido e, sendo negativa, eliminado. Um motorista de ônibus que, por exemplo, não pára nos pontos mas cumpre com o horário estipulado e é elogiado por isso, tenderá a repetir este comportamento. Outro exemplo interessante é a gerência que faz promessas e não cumpre, criando assim um clima de desconfiança e uma atitude desfavorável com relação às medidas futuras. A formação de atitude é facilitada pela experiência pessoal direta, sendo influenciada pelas idéias e experiências dos amigos e dos membros da família e pela exposição à comunicação de massa. Além disso, a personalidade de um indivíduo desempenha um papel importante na formação da atitude. .

COMO MODIFICAR A ATITUDE?
Esses mesmos fatores têm também um impacto na mudança de atitude; isto é, as mudanças de atitude são aprendidas, e são influenciadas pelas experiências pessoais e pelas informações obtidas de várias fontes pessoais e impessoais. A própria personalidade do funcionário afeta tanto a aceitação como a velocidade com que as atitudes tendam a se alterar. Em geral, a mudança de atitude do funcionário refere-se a alterações nos componentes do modelo de multi-atributos. Ou seja, é preciso identificar, para cada grupo de funcionários com modelos de atitudes semelhantes, os aspectos que devam ser alterados e iniciar um processo – muitas vezes, árduo – de novo aprendizado sobre estes atributos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A base da atuação das organizações são as competências de seus funcionários. Seus conhecimentos, habilidades e, principalmente, suas atitudes frente ao trabalho. Não adianta ter funcionários inteligentes e habilidosos se estes não apresentam comportamentos adequados frente às situações do cotidiano. Mudar suas atitudes, porém, não é tarefa fácil. Deverá ser um processo sistêmico – holístico - que envolva uma real capacidade de auto-análise da organização e que, necessariamente, implicará em mudanças nas suas demais dimensões de competências – a grupal e a organizacional. A mudança de atitude deve ser um processo contínuo que reforce o novo comportamento, e deve ser fortalecida por mudanças nas formas como a organização trata o trabalho em equipe, a tomada de decisão, a participação dos funcionários, a relação entre liderança e colaboradores e em seus sistemas gerenciais. Um funcionário que modifica sua atitude e comportamento não o faz de forma fácil, livre e espontânea. Toda mudança implica em momentos de reflexão, de luta e de sofrimento que merecem ser recompensados, o que pode ocorrer de forma monetária ou não, através de aumentos de salários e benefícios ou de maior reconhecimento, importância e participação. E, quem sabe, conseguiremos tornar realidade um pensamento de Claus Möller: "coloque seus funcionários em primeiro lugar e eles farão o mesmo com os clientes".
LUIZ ROBERTO MELLO
Consultor Sênior do Grupo MVC