Medo de Mudar
Larry Ellison, principal executivo da Oracle, diz: "Em nossa empresa nós odiamos mudanças, mas estamos constantemente mudando".

Caberia perguntar se algum ser humano médio normal, em sã consciência, pode dizer que ama mudanças. Caberia averiguar que percentagem de pessoas e empresas pró-agem com relação a mudanças, ou seja, antecipam-nas ou as concretizam antes que elas efetivamente batam a suas portas.
Certamente, as colocações acima não se constituem em surpresa para ninguém, pois esta é a realidade do mundo que nos cerca: o mundo das empresas e dos negócios, o da família, o do pessoal e do individual, o do social e do comunitário, o do político, o do público e do privado, o do econômico e do financeiro.
Paradoxalmente, jamais o mundo experimentou tamanho volume de mudanças e na velocidade em que elas têm ocorrido na época atual.
Cotejando-se, pois, estas reflexões sucintas, conclui-se que jamais o ser humano esteve tão pressionado a se readaptar. Quase que constantemente, diariamente, permanentemente.Já não importa se o medo e o desconforto, antíteses das situações de equilíbrio, previsibilidade e estabilidade, sejam inerentes à natureza humana quando instada a encarar o desconhecido, o incerto, o novo. E por isso mesmo, o desafio a que se encontram submetidas essas duas características, pela necessidade de mudança, esteja levando as pessoas a engrossarem as estatísticas de estresse e outros males decorrentes.
Os estudiosos da psicologia evolucionária suspeitam que se pode tirar a pessoa da Idade da Pedra, mas não se pode tirar a Idade da Pedra da pessoa. Em outras palavras, seu instinto de proteção e preservação, de sobrevivência, de lutar furiosamente quando ameaçada, de defender seu "imperativo territorial" a qualquer preço, permanece inalterado.
Seres racionais que são, porém, vão construindo, ao longo de sua vida, formas de se proteger do desgaste psicológico e biológico imposto pela necessidade de mudança destes tempos.
Ameaças ou prêmios, tanto faz, as pessoas mudam para ganhar ou apenas para não perder. Ou, quem sabe, só para sobreviver.
É de Charles Darwin a afirmação de que "os vencedores não serão os mais fortes, nem os mais inteligentes, mas aqueles que se adaptarem com mais facilidade e rapidez".
Sérgio Hillesheim
Consultora do MVC