| Criatividade: Uma Energia Indispensável para as Empresas |
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Criar é um dos atributos essenciais no ser humano. Fazer brotar um conceito novo, uma idéia diferente e inovadora, ir além do estabelecido e do conhecido. Através da criatividade se encontram soluções, para fazer mais com menos, reduzir custos, simplificar processos e sistemas, aumentar a lucratividade, encontrar novos usos para produtos, conquistar novos segmentos de mercado, diferenciar o currículo, desenvolver novos produtos e inventar algo palpável. |
Várias empresas já se conscientizaram que, uma das riquezas do seu capital humano é a criatividade, e que ela pode ser muito mais valiosa quando bem motivada. O problema é que elas não sabem como organizar e aproveitar todo o potencial criativo disponível, o que pode ser comprovado pela qualidade das idéias inesperadas que surgem de vez em quando. Por que então esperar as idéias "de vez em quando?" Por que não estimular a produção destas idéias no dia-a-dia?
“A criatividade assume um papel de grande importância, uma vez que fornece a quem a usa armas para enfrentar as ameaças”. Quem faz essa afirmação é Edward de Bono, um dos mais conceituados e renomados especialistas em criatividade e inovação de todos os tempos, responsável pelo revolucionário conceito de pensamento lateral (a geração de soluções novas para os problemas. A essência do pensamento lateral é que muitos problemas requerem uma perspectiva diferente para serem resolvidos com sucesso). De Bono diz que a arrogância e prepotência dos gerentes é um dos elementos mais perigosos para a criatividade. Segundo ele, “muitos chefes não escutam as idéias de seu pessoal, ou desdenham delas”. Ele cita uma empresa que, anos atrás, considerou tola a idéia de um telefone celular descartável, o mesmo celular que hoje é uma ferramenta indispensável em todo o mundo. De Bono recomenda, por exemplo, que se objetive a criatividade com metas, focos e diretrizes. E dá como exemplo de empresa criativa a Dupont. Bono diz que o fato do Brasil ter abundância de recursos limita a criatividade, afirmação que pode ser polêmica e discutível.
A corporação considerada como uma das mais criativas dos Estados Unidos é a A.W.L. Gore, relativamente pouco conhecida no Brasil. Produz e comercializa mais de mil produtos, desde fio dental e cordas para guitarras até filtros de uso industrial, passando por enxertos e próteses vasculares. Seu produto mais famoso é o Gore-Tex, um tecido impermeável que, muito antes de a Intel criar o slogan “Intel Inside”, apareceu nas etiquetas de roupas e calçados para climas extremos com o texto “Guaranteed to Keep You Dry (garantia de manter-se seco)”. Seu marketing é criativo, sua área de engenharia é criativa, mas a raiz de tanta criatividade está em outro lugar, sua cultura é criativa. A W.L.Gore mais parece uma universidade; não há chefes, não há regras, a exceção é que as equipes devem manter-se pequenas para favorecer a comunicação cara-a-cara. Essa empresa norte-americana foi fundada em 1958, possui cerca de 6,3 mil funcionários e fatura por volta de US$ 1,580 bilhão por ano.
Em um mundo tão veloz, em constante transformação e com exigências cada vez mais abrangentes, o peso da criatividade em relação as competências técnicas é muito significativo. Uma das áreas em que a criatividade e a técnica mais devem se completar é em rádio e TV. O profissional de rádio e TV é, acima de tudo, o responsável pela produção e qualidade técnica dos programas de jornalismo, esportes e de entretenimento em emissoras de rádio e televisão. Em seu trabalho diário, ele cria, coordena, dirige e escreve roteiros, diferentemente do jornalista que checa as informações antes de divulgá-las. Na prática, porém, muitas vezes o profissional da área acaba exercendo as mesmas funções do jornalista. Para isso, exige-se boa formação técnica e cultural e muita criatividade dos profissionais e candidatos a cargos, especialmente pelo grau de influência que os veículos de comunicação exercem na opinião pública. Para a publicitária Gilza Araújo, a criatividade não está limitada apenas às áreas de artes, comunicação e marketing. De acordo com ela “a criatividade é uma característica inerente ao ser humano e, faz parte da cultura do brasileiro, até como meio de sobrevivência, dando mais leveza para enfrentar aos fatos do dia a dia do pais, como o caso do Congresso Nacional, por exemplo”.
Quem pensa em fazer rádio e TV precisa ter capacidade crítica e reflexiva sobre o papel da imagem e do som na comunidade, ao mesmo tempo em que deve ter domínio de toda área instrumental para produzir, criar, editar e dirigir programas ao grande público", ressalta Mauro Wilton de Sousa, professor da USP. Segundo Sousa, a Internet também ampliou o mercado de trabalho, além da expansão das FMs, TVs por assinatura e produtoras independentes. Vanessa Nunes Viveiros, 20, aluna do 3º ano do curso de rádio e TV da Universidade São Judas Tadeu, afirma que o que mais a atraiu para o curso foi a facilidade de conhecer todas etapas de um programa de rádio e TV. Nos primeiros anos do curso, o aluno tem disciplinas de comunicação social, sociologia, língua portuguesa e muitas atividades práticas em laboratórios. Na USP, o curso de rádio e TV foi recentemente integrado ao curso superior do audiovisual, que engloba cinema e vídeo.
Um dos procedimentos para se desenvolver a criatividade é não ter tem medo de errar, de ousar em aplicar idéias novas. Um exemplo disso é a Natura, onde todos os colaboradores são chamados para dar uma nova idéia e emitir a sua opinião. Lá, o lançamento de um produto é baseado no que ele pode propiciar de bem estar para as pessoas. Andréa Vernacci, Gerente de Recursos Humanos da empresa explica que “as pessoas em essência são criativas. Todos possuem a criatividade dentro de si. Dependendo da organização, da cultura da empresa, ela pode ser bloqueada ou incentivada. Em lugares onde existem excessos de regras, muita rigidez, inflexibilidade, os funcionários acabam não conseguindo colocar a sua criatividade para fora. Na Natura, o ambiente, a cultura da organização, são propícios à criatividade”. Ela destaca que, na corporação, as pessoas são livres para propor e tomar iniciativas. A Natura possui vários fóruns nos quais todos podem mostrar suas idéias, o que facilita e cultiva as pessoas a liberarem sua criatividade. Os Fóruns permitem que todos possam conversar com o presidente e levar suas sugestões. “As pessoas aqui fazem e são ouvidas”, diz Andréa.
Um dos segmentos de negócios em que a criatividade é um item de enorme relevância é o designer gráfico. O diretor da Núcleo 3, Rodrigo Lima, empresa de design gráfico que tem, entre outros, clientes como a Marillon e a Kinder, entre outras, afirma que criatividade é um conceito relativo: “Não é apenas o “dom” da pessoa ser inventiva em determinada situação que conta, depende também da situação e do contexto em que ela é exigida. Criatividade para um médico pode ser uma manobra diferente numa cirurgia e para um fotógrafo uma luz que ele percebe na natureza. Criatividade é uma solução inesperada, repensada, para um determinado problema”. Para Rodrigo, “quanto mais exigido e estimulado o indivíduo se torna criativo. Existem pessoas que são mais criativas com pessoas, outras com gestão, outras com música, outras para escrever, cada uma é mais criativa em um determinado assunto”. Em relação ao equilíbrio entre a técnica e a criatividade Rodrigo é incisivo ao dizer que “os dois lados são importantes, mas se um indivíduo se dá melhor em pregar do que colar, você deve incentivar ele a colar. Não adianta ser criativo e não ter a técnica senão o trabalho não sai. Posso ter uma idéia genial, mas se não sei pintar não faço um quadro. É lógico que uma pessoa criativa para desenvolver a função para que foi contratada é o ideal, mas na medida que você tem um bom profissional técnico com capacidade para resolver os problemas, se ele é estimulado a ser criativo de forma dinâmica, se torna criativo. Acho que a técnica pesa 70% e a criatividade 30%. Prefiro aceitar que todos são criativos na maioria do tempo e não o são pelas limitação das empresas e dos cargos”. De acordo com Rodrigo, um funcionário que possui uma técnica apurada, cultura geral e várias referências, custa mais caro mas é o ideal. Ele ainda ressalta que, só entendendo o problema a pessoa pode solucioná-lo e, desta forma, ser criativa. “Os indivíduos são criativos, mas como a maioria trabalha num sistema metódico a criatividade tende a ser limitada e, nesses casos, eles têm que usar ao menos esses 30% de criatividade”, conclui.
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Dum De Lucca
Jornalista e Colaborador do Insight MVC
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