| Será Preciso Sofrimento para Mudar? |
Conversando com meu amigo e consultor LUÍS ERNESTO MEIRELES, falávamos sobre mudança. Ele, psicólogo, lembrou que, no final do século passado, o "senso comum" fazia com que as pessoas acreditassem que as mudanças se dariam após o acontecimento de um dado evento traumático, de forte significado psíquico. Essa crença também ganhava força junto aos estudiosos do comportamento humano. Já nessa época, FREUD, contrariando essa crença, dizia que os "acontecimentos traumáticos" funcionavam apenas como meros catalisadores, como "a gota que faltava" para que o processo de mudança fosse desencadeado.
|
|
Um acontecimento isolado, por mais significativo que fosse, não teria, segundo FREUD, o poder de, sozinho, provocar mudanças significativas nas vidas das pessoas, fazendo-as rever prioridades, relações etc. O que, de fato, provoca mudanças que não sejam apenas "cosméticas", superficiais, é uma cadeia de acontecimentos interligados e que guardam, entre si, algum tipo de lógica ou coerência.
A pergunta que fica é: Será preciso sofrimento para mudar?
Acredito que não, necessariamente. Mas é inegável que quanto mais tempo retardamos o processo de mudança, maior é a possibilidade de sofrermos. Em outras palavras, quanto mais tememos "sofrer" por ter que tomar a decisão de mudar, mais sofremos de verdade por não termos mudado ainda.
Costumo dizer que um grande indicador da necessidade de mudar é quando deixamos de sentir paixão pelo que fazemos. Quando a paixão acaba, a rotina inunda nosso dia-a-dia e nos traz o perigoso conforto da acomodação e previsibilidade.
Aqueles que estão no "negócio" de Gestão de Pessoas, mais do que outros, precisam "adubar" sua paixão para que ela mantenha sempre seu crescimento. Além disso, ao projetarem ações que têm como objetivo provocar mudanças nas pessoas dentro das organizações (programas de treinamento, seminários, coaching etc.), devem levar em conta que é necessária uma série de eventos significativos que precedam a qualquer intervenção de maior impacto.
Nas expedições de aventura e nos lançamentos de foguete, há um conceito relacionado às condições meteorológicas chamado de "janela de oportunidade". É quando estão reunidas, em um só tempo, as condições ideais para se "dar a partida". Se essa janela é perdida, terá que se esperar todo um novo ciclo (que, às vezes, pode demorar mais de um ano) para que surja uma nova "janela de oportunidade.
Vamos pensar se andamos apaixonados ou acomodados. Se estamos fazendo coisas apenas dentro da nossa "zona de conforto". Se for assim, é hora de dar uma avaliada nos últimos acontecimentos (especialmente os pouco agradáveis) e ver se eles guardam alguma correlação entre si. Nesse caso, é hora de aproveitar a "janela" que se abre a nossa frente e empreender um forte processo de transformação. Aí, sim, um acontecimento de impacto fará o efeito de provocar as mudanças desejadas.
|
COSTACURTA
Vice-Presidente e Consultor do Instituto MVC
| |