NEGOCIANDO COM O VIZINHO
Já não é mais possível ver os países como Estados isolados, cuidando da própria economia sem se preocupar com o que acontece ao redor. A Aldeia Global, antevista por Marshall McLuchan, é uma realidade.
Neste mundo globalizado, as empresas buscam seu caminho rumo à internacionalização, e quem não acompanha os movimentos desta era fica fora da aldeia.
Se antes era comum negociar e fazer alianças com empresas de países mais próximos, hoje em dia todos são vizinhos. A velocidade dos meios de transporte e comunicação antecipa essa visão de futuro.
Contudo, apesar de os países estarem todos interligados seja por interesses políticos, econômicos ou sociais, cada um deles guarda suas características culturais peculiares, como uma forma de manter a própria identidade.
Essas características são muito importantes para quem vai negociar com uma pessoa de outro país.
Se os acessos às notícias do mundo todo estão mais fáceis, maior é também a cobrança sobre a atualização dessas informações.
Numa guerra, vence quem conhece melhor as fraquezas do inimigo. No dia-a-dia do mundo nos negócios, é vencedor quem sabe lidar a respeitar essas diferenças.
É óbvio que quanto mais próximo um país, mais fácil conhecer sua cultura. Os mais distantes requerem um estudo mais profundo.
Toda a atenção é pouca, principalmente aos pequenos detalhes. Achar que eles não vão interferir na negociação é apostar em uma inverdade
Uma piada politicamente incorreta em uma mesa de negociação nos Estados Unidos pode significar o desastre do negócio.
O tratamento a ser dado às mulheres, por exemplo, varia de país a país. Enquanto nos Estados Unidos é bom não ser muito obsequioso, na América Latina o ideal é ser cerimonioso com elas.
No Japão, todo respeito e cordialidade são extremamente necessários. Mas não se deve tocar o interlocutor.
Para quem já viveu fora ou passou algum tempo em outro país, a tarefa de aprender a respeitar outra cultura pode ficar mais fácil. Mas essa experiência talvez não diminua a ansiedade provocada pelo novo, pelo desconhecido.
Uma forma de fugir da ansiedade é buscar, pesquisar, conhecer. Essa busca leva à excitação. Enquanto a ansiedade paralisa, a excitação impulsiona.
Ver filmes dos países onde você vai negociar é uma boa alternativa para conhecer hábitos e costumes. Assista não como um espectador comum, mas como um pesquisador que está descobrindo um novo mundo.
A Internet é também uma rica fonte de consulta para conhecer novas e diferentes culturas.
Uma boa dica que vale para qualquer país, seja para quem vai visitar ou a negócio: respeite a cultura local e nunca critique o lugar. Afinal, por mais que um povo reclame de seu país, não gosta que um estrangeiro venha criticá-lo.
LEILA ROCKERT MAGALHÃES
Consultora do Instituto MVC