Falando de Mudança
Dois livros lançados nos últimos anos nos instigam a pensar ainda mais profundamente no tema Mudança. "O Coração da Mudança" de John Kotter e "Mentes que Mudam" de Howard Gardner são leituras indispensáveis para quem está interessado no tema, ou seja, todo o Universo empresarial. A análise cuidadosa que fiz de seus conteúdos foi acoplada ao método que venho usando (e aperfeiçoando sempre) em trabalhos de consultoria. Menciono a seguir alguns pontos devem ser destacados.

Sem dúvida, na obra de Kotter o próprio nome e subtítulo ("transformando empresas com a força das emoções") já nos mostra uma verdadeira ruptura de paradigmas, principalmente considerando a nacionalidade americana e formação acadêmica do autor. A mudança deixa de ser tão somente, um processo racional, um projeto cartesiano, para incorporar a alma, o sentimento de seus agentes de implantação. Sua incisiva proposta consiste na evolução do sistema "Analisar – Pensar – Mudar" para o "Ver – Sentir – Mudar", o que representa em si uma verdadeira reorientação para a Essência Humana mais pura.

Neste ponto, o pensamento de Gardner complementa a mesma premissa conceitual e reforça a necessidade do Líder da Mudança ter uma excepcional capacidade de comunicação. Um de seus atributos de sucesso – que ele chama de Ressonância – propõe literalmente: "A razão e a pesquisa (outros atributos) apelam para os aspectos cognitivos da mente humana; a ressonância denota o componente afetivo". É incrível, mas dois dos maiores pensadores do mundo, pertencentes aos quadros mais nobres de Harvard, propõem a efetividade da mudança sobre os pilares da afetividade e da emoção, lembrando que o grau do Humano nas empresas, tão abandonado durante tanto tempo, deve prevalecer sobre a razão pura (nada contra Kant e suas idéias). Kotter é ainda mais enfático quando conclui: "Idéias carregadas de emoções mudam comportamentos antigos e reforçam novos comportamentos". Para mim, pessoalmente, esta reflexão ganha importância maior. Há muito tempo eu defendo a idéia que a empresa é uma dádiva divina porque ela nos dá a o portunidade de melhorar o mundo dentro do nosso tamanho e limite de capacitação. Sim, porque, a empresa é a integração de Seres Humanos que somam suas qualificações e eliminam mutuamente suas missões, para agregar valor ao Universo e à Humanidade.

Isto tudo me inspirou para transcrever na forma de um teste (simples e objetivo) o método de Gestão da Mudança que uso em nossos clientes, e que está apresentado neste número do Insight.
Marco Aurélio Ferreira Vianna
Presidente do MVC