| ESCOLHA A SUA GLOBALIZAÇÃO |
Fala-se e ouve-se falar tanto de globalização que essa virou uma espécie de palavra–chave, nos textos jornalísticos, nos ambientes acadêmicos, na política e na conversa social. O que é esse fenômeno afinal, que atrai simpatias e entusiasmos e também ódios e condenações? É algo para se aplaudir ou para se rejeitar?
Na verdade existem várias "globalizações" e antes de se tomar uma posição pró ou contra, há que distingui-las.
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Os avanços tecnológicos, principalmente no campo da informação e da comunicação, a rapidez crescente dos meios de transporte, abreviaram distâncias, derrubaram fronteiras e alteraram os conceitos de espaço e tempo. Enquanto nossos avós demoravam dias para saber o que se passava em um país vizinho, ou até mesmo em outra cidade, hoje assistimos em "tempo real" tudo que se passa de relevante do outro lado do mundo.
O final da "guerra fria", acabando com a bipolaridade mundial; a consciência ecológica; as organizações e instituições supranacionais e mundiais; a volatilidade dos capitais e a força dos conglomerados multinacionais, tudo isso reforçou a noção de "mundo", em detrimento do conceito de "nação". Com efeito, os Estados Nacionais vêm perdendo muito de sua soberania, principalmente no que diz respeito à sua capacidade de regulamentar o comércio internacional, na busca de um maior equilíbrio e de melhores relações entre os diversos países e em sua sujeição à OMC e outros organismos reguladores de atuação mundial.
Ora, a sensação de "estar no mundo", naquela linda esfera azul que os astronautas vêem, ultrapassando fronteiras, superando barreiras, promovendo trocas culturais e um intercâmbio mais harmônico entre os povos pode, certamente ser entendida como uma forma de "globalização". Da mesma forma, os esforços ecológicos de preservação ambiental, o não estranhamento do "outro", cujas diferenças possam ser compreendidas e, se não assimiladas, pelo menos respeitadas no contexto do "politicamente correto", são outros tantos aspectos positivos de uma visão globalizada.
Existe, por outro lado, toda uma série de fatos e situações que também são atribuídas à globalização: a volatilidade dos capitais especulativos, detonando a economia dos países, principalmente daqueles menos desenvolvidos, o desemprego crônico e crescente, a hegemonia cultural de determinadas nações detentoras dos meios de comunicação e dos sistemas de informação mais eficazes e que espelham o lado escuro do fenômeno.
Quem é "globalizado" afinal? Quem pode viajar a vontade e não está necessariamente "localizado" em um espaço delimitado e específico, quem tem acesso às novas tecnologias de comunicação e informação como a internet, televisão a cabo, telefonia celular, telefax, quem está em dia com a mídia e quem "está na mídia" e apresenta alta capacidade de consumir: consumir tecnologia e tudo que esta, aliada ao capital, é capaz de oferecer.
Os "globalizados" são minoria: a "globalização", nesse último sentido, é para poucos e ao contrário de abolir barreiras e ultrapassar fronteiras aumenta as já existentes entre a nata da sociedade de consumo e aqueles aos quais não é dado consumir.
Essa globalização tem como força propulsora o capital especulativo, certas corporações globais que deslocaram totalmente seu foco da "produção" para o "consumo" e que, valendo-se de seu acesso pleno às novas tecnologias e da onda de terceirização, procuram dominar o mercado mundial e promovem, através da mídia uma propaganda exacerbadora do consumo e divulgadora de arquétipos dos globalizados, que é preciso a todo custo admirar e imitar.
É uma "globalização" excludente cujo resultado não é um mundo mais harmônico e melhor para se viver, mas a formação de "guetos".
Será essa uma opção defensável para o que se configura como uma perspectiva de vida? Programada??? Será?? Há que prevalecer o senso crítico e aperfeiçoar um processo que se configura irreversível.
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CARLOS ALVIM
Consultor Sênior do MVC |
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