Diretoria de RH ou SH?
Desde o Big Bang, ou outro fenômeno que venha a ser provado como início do Universo, a dicotomia (pelo menos naquilo que nosso conhecimento nos permite atingir hoje) livre arbítrio x destino faz parte da história. Nosso Planeta Terra, elevado a Gaia – organismo vivo construiu sua evolução biológica e, em determinado momento, um possível meteoro explode sobre a Terra e elimina a grande maioria de seus Seres Vivos. A partir do Homo Sapiens (quem sabe até antes) um terceiro elemento passa a influenciar o destino do Universo e da Humanidade dentro do conceito antropológico-ontológico. O ambiente formado por paradigmas, valores, princípios, crenças, modelos mentais.
O inconsciente coletivo e os arquétipos junguianos, a noosfera de Teilhard de Chardin, sem dúvida alguma, se juntam à livre construção do nosso futuro e às forças inexoráveis do destino. Passando para o plano transpessoal poderíamos “sair do quadrado” e pensar que, em nossa limitação, não conseguimos entender um arranjo, uma concertação maior. Em alguns momentos de vida esta é a única explicação possível para fatos contrários a nossa natureza.
Este momento de mudança que vivemos nesta entrada do século XXI, muito mais extenso e mais volátil que se imaginava, merece uma reflexão ainda mais profunda. O comportamento caótico lato sensu das forças exógenas aumenta o grau de incerteza em relação ao que fazemos e pensamos, diminuindo fortemente nossa capacidade de exercer o livre arbítrio. Por causa e conseqüência, o destino acarreta o improvável como fato corriqueiro de nosso cotidiano. Balas perdidas, seqüestros-relâmpagos, morte súbita, a banalização da vida por sua própria formação etimológica demonstram que vivemos da Era do Susto, ou seja, o destino perde ainda mais a sua baixa previsibilidade.
Em torno de tanta complexidade de “loucuras inesperadas”, esta a Era do Vazio, nos deixa atônitos, perplexos, correndo contra o tempo, administrando paradoxos. Temos de fazer muito mais em tempo muito menor; temos de fazer muito melhor, com custo muito menor. Através da Revolução da Natureza Humana desenvolvemos mais amor, nos dignificamos. Na Revolução da Competitividade, na qual valemos pelo que fizemos ontem, nos coisificamos. Por isto, nos fixamos em paradigmas de segurança. As poucas rotinas possíveis são uma tábua de salvação, de volta ao seguro. Por isto, gostamos de ir a um mesmo restaurante. Por isto, repetimos encontros com os mesmos amigos. Por isto fazemos um mesmo trajeto no caminho do trabalho. Definitivamente o Ser Humano não está preparado (e não foi preparado) para esta megaturbulência.
Por isto, voltamos a um conceito que defendemos há mais de dez anos. A Área de RH – Recursos Humanos – tem de ser elevada à categoria de SH – Seres Humanos –, porque gente não é recurso: gente é parceria. Empregado não é custo: é patrimônio. E, mais que tudo, porque por trás do colaborador existe um Ser Humano, hoje, perplexo, precisando de apoio.
Boa leitura.
Não somos Seres Humanos.
Passando por uma experiência espiritual.
Somos Seres Espirituais.
Passando por uma experiência humana.
(Teilhard de Chardin)
MARCO AURÉLIO FERREIRA VIANNA
Presidente do Instituto MVC