| Aprendendo com os Próprios Fracassos
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É comum ouvirmos a máxima que “ é muito mais fácil apontar os erros dos outros que os nossos”. Para mim, porém, é muito menos constrangedor falar dos meus próprios erros do que dos de terceiros e, por isso, compartilho com os leitores uma experiência pessoal que me mudou algumas atitudes pessoais e também me fez refletir sobre o papel do profissional da gestão de pessoas.
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Essa experiência fundamentou-se no mito do “Super-Herói” ou da “Mulher-Maravilha”, e dos seus impactos na minha qualidade de vida.
Nessas últimas décadas, a sociedade moderna e o mundo corporativo enalteceram a importância da superação dos desafios como uma condição para o sucesso profissional. Certamente, não há dúvidas que essa capacidade seja indispensável porque, afinal, todas as biografias e histórias de sucesso demonstram o forte desejo, determinação e dedicação de seu personagem.
Os Super-Heróis
O filme infantil “Os Incríveis” é uma boa metáfora para analisarmos o quanto precisamos saber gerir essa capacidade de superação, essa persistência em relação aos objetivos, enfim, seja lá como for definida, essa elevada motivação pessoal. A “família Incrível”, por meio dos poderes de seus personagens, nos mostra as diversas competências cultuadas, hoje, pelo mundo corporativo: a “força”, a flexibilidade, a agilidade, a “invisibilidade”, e a “mutabilidade”, ou seja, a capacidade de transformação que podemos verificar no “Bebê Incrível”.
Para suportar a alta competitividade do ambiente corporativo, é preciso ser forte, no sentido da resistência às pressões, isto significa “esticar” os próprios limites de tempo, de cansaço, de desafios e tantos outros. É necessário, também, não “aparecer”, em certos momentos, para não tirar o brilho dos mais “poderosos”, ou então, fazer de conta que não está vendo, para não ter de tomar algumas atitudes mais drásticas que contrariem alguns interesses. A agilidade do Incrível “Flecha” é fundamental para responder, rapidamente, às demandas do mercado. É especialmente exigida, ainda, uma grande capacidade de adaptação às mudanças, ou a capacidade de transformação!
Percebi que trouxemos das telas do cinema para a vida real, o mito dos Super-Heróis, quando, em nome da busca de sucesso e realização, do comprometimento, do medo de perder status, enfim, de tantas causas, algumas até nobres, extrapolamos os nossos próprios limites, afetando a nossa qualidade de vida e das outras pessoas que estão próximas.
O Desafio de Sermos os Melhores
Além dos múltiplos papéis sociais que assumimos, ainda queremos ser os melhores em cada um desses papéis, e então, criamos as nossas próprias armadilhas, e pagamos a conta do que fizemos para conquistar nossos objetivos com nossa saúde física, mental e emocional.
Se não estivermos atentos, não perceberemos os sinais que o nosso corpo começa a dar para denunciar que temos limites. Até o elástico o tem: ele estica, estica, vai, mas chega um momento em que ele se rompe. Podem ser vários os sintomas físicos, psicológicos e até sociais: dores de cabeça; problemas na coluna; doenças psicossomáticas; alergias; doenças sucessivas devido à baixa imunidade decorrente do estresse; esquecimento de assuntos e fatos importantes; falta de concentração; irritação; ansiedade e vontade de se isolar.
Num determinado momento, o impacto desses sinais acaba nos fazendo parar e olhar para essa situação de forma mais cuidadosa e reaprender, incorporando novos hábitos de alimentação, trabalho, relacionamento, estudo e lazer, em busca de mais saúde e qualidade de vida.
Descobrimos que não somos Super-Heróis, e que, apesar de sermos “Incríveis” pelos nossos talentos, somos Humanos, falíveis, e que, mesmo com tantas possibilidades, precisamos aprender a lidar com os nossos limites, senão sofreremos perdas irreparáveis.
Felizmente, além do ilimitado acesso às informações que hoje possuímos, também, vemos surgir nas organizações mais avançadas, em termos de gestão de pessoas, uma série de iniciativas e programas voltados para qualidade de vida. No entanto, nenhum desses programas será eficaz, se não propiciar uma maior consciência, por parte das pessoas envolvidas, sobre seus limites e suas necessidades.
Nós, profissionais da gestão de pessoas, além de aprendermos com os “Super-Heróis” da tela do cinema devemos também aprender com os Heróis da vida real, contribuindo, por meio de políticas e práticas de gestão, para aumentar a auto-estima e fazer com que cada Ser Humano, que trabalha em nossas organizações, seja a estrela principal do seu próprio filme!
Para mim ficou o aprendizado de que o equilíbrio é palavra-chave para o nosso sucesso pessoal e profissional, e qualquer extremo pode ser prejudicial, inclusive o excesso de automotivação que nós faz extrapolar os nossos próprios limites!
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Denize Dutra
Consultora Sênior do MVC, Autora dos programas E-learning Mudança e Desenvolvimento Interpessoal
Material retirado do Pocket MBA Gestão de Pessoas e Negócios.
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